Cirurgia do Fígado, Pâncreas. Vias Biliares e Transplante Hepático

 

Cirurgia de Whipple

A cirurgia de Whipple foi descrita na década de 30 por Alan Whipple nos EUA e devido à complexidade desta operação e uma elevada mortalidade até o inicio da década de 90, muitos cirurgiões eram relutantes em realizar esta operação.

Atualmente, em centros especializados e cirurgiões especialistas, a Duodenopancreatectomia (Cirurgia de Whipple) pode ser realizada com uma mortalidade inferior a 5%.

O que é a Cirurgia de Whipple?

Classicamente nesta operação, remove-se o terço distal do estômago, duodeno, cabeça do pâncreas, vesícula biliar e ducto colédoco e nos casos de patologias malígnas, os linfonodos regionais ao redor dos vasos. Pode-se ainda, preservar o estômago em alguns casos selecionados.

Quais são as indicações da Cirurgia de Whipple?

  • Tumores da cabeça do pâncreas
  • Tumores da 1e 2 porção duodenal
  • Tumores do terço distal do colédoco
  • Tumores da Papila de Vater

A cirurgia de Whipple ainda pode ser utilizada em casos de pancreatite crônica cefálica e alguns outros raros tumores benignos da cabeça pancreática.

Quais são as complicações imediatas da Cirurgia de Whipple?

  • A fístula pancreática, ou seja, o vazamento de suco pancreático por fora do segmento digestivo utilizado para reconstruir o remanescente pancreático pode acontecer em cerca de 5 a 15% dos casos. O pâncreas é uma glândula delicada e por isso a sutura pode em alguns casos não cicatrizar adequadamente. O nosso grupo, realizada rotineiramente a reconstrução do pâncreas com o estômago e alguns trabalhos científicos apontam uma menor taxa de complicação com o uso desta técnica.
  • Gastroparesia (paralisia do estômago). Nos primeiros dias depois da cirurgia, muitas alterações de neurotransmissores ocorrem ao nível dos órgãos digestivos e com isso a movimentação intestinal pode ficar prejudicada. Cerca de 25 a 30% dos pacientes apresentam sinais de lentificação dos movimentos intestinais, principalmente ao nível do estômago. Várias medidas clínicas e farmacológicas podem auxiliar a melhorar esta alteração.

A invasão do tumor a veia porta e a veia mesentérica superior, contra indica a operação?

Cerca de 20% dos adenocarcinomas da cabeça pancreática apresentam invasão da veia porta ou da veia mesentérica superior. Muitos centros, contra indicam a cirurgia de Whipple quando há suspeita de envolvimento destes vasos pois alguns estudos não mostraram melhora na sobrevida dos pacientes que foram operados.

No entanto, os centros especializados em cirurgia hepatobileopancreática e transplante hepático, em virtude da experiência sobre os vasos espleno-porto-mesentéricos e com anastomoses destes vasos, podem remover com segurança esses tumores e ressecar os vasos e utilizar enxertos, preferencialmente a veia renal esquerda do paciente e restabelecer o fluxo portal.

Nosso grupo acumula alguma experiência em ressecção de veia porta em tumores bileo-pancreáticos há cerca de oito anos com bons resultados.

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